Tudo começou com um miado insistente na minha porta.
Era mais um dia comum quando ouvi aquele som familiar – o miado que eu já conhecia bem. Meu marido Adeilton tinha o costume de alimentar uma gatinha branca que aparecia por aqui, então pensei que fosse ela pedindo comida novamente. Sem pensar duas vezes, abri a porta.

Mas não era a gatinha branca.
Quando a porta se abriu, me deparei com um pituchinho pequeno, diferente, que imediatamente veio em direção aos meus pés. Aquele olhar… era impossível resistir. Peguei comida e água para ele, mas ainda estava em dúvida sobre o que fazer. Então deixei o pequeno do lado de fora, sem saber que aquela decisão estava prestes a mudar.
Foi quando um vizinho apareceu e, achando que estava fazendo o certo, levou o gatinho e o trancou dentro da própria casa. Eu fiquei ali, pensando no bichinho, quando de repente comecei a ouvir miados desesperados. O gatinho não parava de miar na casa do vizinho!
Assim que o homem deu uma brecha – literalmente abriu uma fresta na porta – o esperto fugiu. E para onde ele correu? Direto para minha casa de novo!
Naquele momento, entendi tudo. Não fui eu quem escolheu Miau. Foi ele quem me escolheu.

E assim Miau ficou. Para sempre.
Hoje, quando olho para ele espalhado no sofá ou perseguindo borboletas imaginárias pela casa, ainda me lembro daquele dia. O dia em que um pituchinho insistente miou na porta errada – ou seria a porta certa? – e decidiu que aquela seria sua família.
Porque no final, a gente não adota gatos. São eles que nos adotam.